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«"Vaisse" andando»

 Por norma, quando alguém questiona como é que estamos e respondemos «"Vaisse" andando», veem e interpretam como algo menos positivo. Pelo menos essa é a minha perceção quando ouço dos outros e o que me têm transmitido nas mil e uma vezes que tenho respondido «"Vaisse" indo» nos últimos tempo. Será que a pessoa necessariamente está a passar por um momento menos positivo? Julgo que não. Eu próprio, quando uso, está relacionado a essa conotação menos positiva. Contudo, se fizer uma retrospetiva aos últimos tempos, os momentos em que estou mais são a nível mental, são os momentos em que os pensamentos não estão a correr, ou seja, estão a andar, porque nunca estão parados. Por isso, questiono-vos: nestas vidas tão aceleradas, porquê que não normalizamos o abrandar, o andar e, por ventura, o parar? Porquê que precisa de haver uma razão para que queiramos abrandar? Porquê que o abrandamento do ritmo das nossas vidas significa necessariamente de que estamos a passar por um...

Tudo (parece que) está a acabar

 Todas as mudanças geram incertezas. Sejam elas maiores ou menores, todas geram incertezas. Mil e uma questões começam a aparecer ("Quando?", "Como?", "Porquê?") e cada um arranja as suas estratégias para lidar com essas incertezas. Eu, enquanto ser (demasiado) pensante, tenho uma necessidade constante de ter tudo sob controlo e de ter certezas, algo que tenho vindo a trabalhar bastante nos últimos tempo e, felizmente, tenho tirado frutos, exceto em momentos de grande ansiedade. Em altura de mudanças, de modo a saciar essa minha necessidade e fazer face à incerteza, tento responder às mil e uma questões, na tentativa de criar um sentimento (falso) de segurança. Neste momento, nesta mudança pela qual estou a passar, apesar de "deixar" a Madeira, a minha família e os meus amigos para ir para uma terra onde (em certa parte) sinto como casa, vou sem data de regresso e sem saber exatamente o que vou fazer. Ou seja, encontro-me impossibilitado de tenta...

(Não) deixam de ser todos Eu

Costumo dizer: "Quem desenvolve um distúrbio alimentar, nunca o cura, apenas aprende a gerí-lo". Oxalá que esteja errado, porque não vejo a hora de viver sem os pensamentos que tanto me assombram. Maioritariamente, o sentimento de culpa, que tanto me inibe nos dias em que decide aparecer. Sentimento esse que ora aparece por estar a exagerar (ou ter exagerado) no que ingiro, ora aparece por estar a comer pouco... Podem achar estranho, mas sim existem estas duas faces, porque, em menos de um ano, tanto vi-me com 103 kg como com 69 kg (e, para que conste, tenho 1.80 m). Como podem calcular, quando temos fobia a duas versões nossas, vivemos num constante limbo, onde o controlo rígido da alimentação parece ser a única certeza que temos para não cair para nenhum lado. Ao que vos questiono: "Qual a piada disso?". Logo para mim que adoro ter uma mesa cheia de amigos, comida e bebida. Oxalá que a situação fosse tão simples como isto, mas não é... porque o Eu (versão atual) e...

Introdução

 Percebi pelos pequenos e poucos desabafos, que tenho acerca disto, que já consegui ajudar pelo menos uma pessoa (duas a contar comigo). Daí querer lançar esta rúbrica "Diário de um Ser (Demasiado) Pensante", por enquanto, apenas aqui, mas com o objetivo de estar confortável para partilhar com todos, sem ser de forma anónima. Julgo que a minha ansiedade não é das mais severas, dos casos mais preocupantes. No entanto, nos últimos tempos, tem sido impeditivo de viver a minha vida da forma que quero e com quem quero. Ainda para mais quando os sintomas físicos se podem confundir com os sintomas de um problema de coração ao qual estou bastante suscetível... aumentando ainda mais a ansiedade. Muitas das coisas que serão expostas podiam e deviam ter sido ditas de forma mais direta e pessoal (para o que não há desculpa), mas foi o forma que arranjei de estar confortável nesta partilha... atrás de um ecrã. Podem achar aquilo que quiserem: falso, exibicionista e medricas ou que estou a...