Tudo (parece que) está a acabar
Todas as mudanças geram incertezas. Sejam elas maiores ou menores, todas geram incertezas. Mil e uma questões começam a aparecer ("Quando?", "Como?", "Porquê?") e cada um arranja as suas estratégias para lidar com essas incertezas.
Eu, enquanto ser (demasiado) pensante, tenho uma necessidade constante de ter tudo sob controlo e de ter certezas, algo que tenho vindo a trabalhar bastante nos últimos tempo e, felizmente, tenho tirado frutos, exceto em momentos de grande ansiedade.
Em altura de mudanças, de modo a saciar essa minha necessidade e fazer face à incerteza, tento responder às mil e uma questões, na tentativa de criar um sentimento (falso) de segurança.
Neste momento, nesta mudança pela qual estou a passar, apesar de "deixar" a Madeira, a minha família e os meus amigos para ir para uma terra onde (em certa parte) sinto como casa, vou sem data de regresso e sem saber exatamente o que vou fazer. Ou seja, encontro-me impossibilitado de tentar construir o sentimento (falso) de segurança, o que me deixa mais nervoso e ligeiramente infeliz.
Tentei responder às questões e só o "Como?" ficou por responder. No entanto, hoje, em plena mudança, vejo que afinal nenhuma questão estava respondida, porque chegou à hora e nada aconteceu como me disseram ou como previa, porque chegou à hora e senti que não estou mais perto da resposta ao "Porquê?".
Ao sentir que "deixei" a Madeira, a minha família e os meus amigos, a situação piora, mas porquê? É sempre assim quando saiu da Madeira, mas desta vez foi pior. É normal e legítimo sentir saudades, inclusive vejo como algo positivo. Porém, eu com os meus extremismos, vejo como se tudo acabasse, como se fosse viver para outro mundo, mas porquê? A resposta é: não sei, mas tenho alguns palpites.
Uma forte possibilidade é o sentimento de não ser suficientemente bom ou de ter medo de não estar lá quando alguém precisar. Contudo, percebi que isso não faz de mim menos bom, porque sabem que gosto deles e que, dentro dos recursos que tiver à minha disposição, vou arranjar forma de "estar lá". Do mesmo modo, apesar de sentir uma necessidade subconsciente de validação, sei que a Madeira e os que gostam de mim estarão sempre disponíveis para mim.
Esta reflexão, apesar de poder aparecer um pouco básica, ajudou-me a perceber que não vivo entre dois mundos.
Afinal, vivo apenas num mundo, onde, neste momento, existem dois lados que têm mais aspetos em comum do que a divergir, onde não há necessidade para colocar o "Como?", "Quando?" ou "Porquê?" para poder viajar entre os dois lados ou até fundi-los.
Afinal, para atingir a minha definição de sucesso, não necessito de viver para os outros, necessito sim de viver com os outros. Por isso, seja qual seja o "Porquê?" para estar em qualquer um dos lados, só atingirei o (MEU) sucesso se aproveitar o tempo com quem realmente faz com que goste do meu mundo, seja em que lado seja.
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