«"Vaisse" andando»
Por norma, quando alguém questiona como é que estamos e respondemos «"Vaisse" andando», veem e interpretam como algo menos positivo. Pelo menos essa é a minha perceção quando ouço dos outros e o que me têm transmitido nas mil e uma vezes que tenho respondido «"Vaisse" indo» nos últimos tempo.
Será que a pessoa necessariamente está a passar por um momento menos positivo? Julgo que não.
Eu próprio, quando uso, está relacionado a essa conotação menos positiva. Contudo, se fizer uma retrospetiva aos últimos tempos, os momentos em que estou mais são a nível mental, são os momentos em que os pensamentos não estão a correr, ou seja, estão a andar, porque nunca estão parados.
Por isso, questiono-vos: nestas vidas tão aceleradas, porquê que não normalizamos o abrandar, o andar e, por ventura, o parar? Porquê que precisa de haver uma razão para que queiramos abrandar? Porquê que o abrandamento do ritmo das nossas vidas significa necessariamente de que estamos a passar por uma fase menos boa?
Também não vos sei responder...
Quem me conhece sabe que abrandar ou levar a vida a andar é das coisas que menos me carateriza e que me faz alguma confusão. No entanto, apesar de serem momentos bastante frustrantes ao início, os momentos que mais tenho gostado de viver nos últimos tempos são aqueles em que realmente abrando. Momentos esses em que, primeiro, ganho frieza para organizar os meus pensamentos quando eles andam aos sobressaltos e, segundo, consigo realmente focar-me no momento, sem estar a julgar o que fiz antes e sem hipotetizar o que virá depois.
Pode parecer-vos algo simples, mas, para mim, aperceber-me de que já consigo pôr a minha vida a andar e de forma confortável é uma grande conquista! E aperceber-me do quão bom e do quanto necessito de pôr a minha vida a andar mais vezes é outro passo ainda maior!
Tudo isto ganha mais relevância quando, nos últimos tempos, (quase) todos os dias, desejava em desaparecer para um local onde nada acontece e ninguém me chateia. Agora, percebo que não é preciso desaparecer, porque, grande parte do tempo, sou eu que meto muita coisa a acontecer (quando na realidade nada se passa) e que me chateio (e não os outros) por querer estar sempre a correr.
Infelizmente, ainda descarto um pouco esses momentos, apenas porque ainda não os consigo ver como algo normal no meu quotidiano, mas podem ter a certeza que tudo farei para que comece a andar mais vezes na minha vida e não esteja sempre a correr.
E, caso queiram, estão convidados a andar comigo ;)
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