Felizmente pouco feliz
Prometi ver cá mais vezes, mas afinal não deu...
Desde a última vez, tive muitas horas de trabalho, estudos, aulas e viagens; fui a casa passar o Natal e a passagem de ano e mesmo assim tive muitas horas a estudar; tomei uma das decisões que mais pode impactar a minha vida, que muito se deve a todo o processo que tenho feito e que me enche de alegria, ansiedade, incerteza e motivação; voltei a Setúbal; após muitos anos, tive um ataque de pânico e por mais de 5 minutos sem ter controlo sobre mim mesmo; tenho muitas horas de trabalho, estudos, aulas e viagens; fiz uma meia maratona pela primeira vez; fiz muitas mais coisas que vou tratar de falar; e não tenho estado muitas vezes feliz.
Sim, não tenho estado muitas vezes feliz e nem sei porquê...
É verdade que viemos ao mundo para ser felizes, mas também é verdade que não estar sempre feliz faz parte da experiência humana, é algo importante para conhecermo-nos ainda mais e é isto que procuro tentar decifrar hoje.
Este texto era para ter sido escrito há duas semanas, quando apercebi-me que estar pouco feliz era o meu estado de espírito mais frequente. O que, por incrível que pareça, coincidiu com a altura que comecei a me sentir pouco produtivo. Será por isto? Capaz...
Definição de produtivo: 1. que produz ou pode produzir; 2. fértil; 3. rendoso, lucrativo.
Desde o início do ano tenho: entreguei todos os trabalhos a tempo e com qualidade desejada (face as circunstâncias); tenho todos os trabalhos orientados; tenho desempenhado todas as tarefas para as quais fui contratado, para além de contribuir para a melhoria dos locais/projetos em que trabalho; já tenho ideia para a tese de mestrado e uma orientadora interessada na ideia; recebi feedbacks muito positivos e acompanhados de propostas para desenvolver atividades de alta responsabilidade ou remunerosas e gratificantes, que não influenciarão a grande mudança que quero fazer este ano; surgiram ideias e validações e apoios a essas ideias que me dão mais certezas dessa mudança.
E isto não é ser produtivo? Incrível como foi preciso enumerar tudo isto para ficar impressionado comigo mesmo...
Agora percebo que, porventura, este estado de espírito pode ser apenas dores de crescimento de todo este processo de desenvolvimento de autoestima, autoconfiança e autovalorização. Talvez a minha noção subconsciente de produtividade ainda não é aquela que realmente me valoriza...
A verdade é que comecei a estar mais vezes triste e a sentir-me pouco produtivo quando comecei a: não estudar ou fazer tantos trabalhos ao fim de semana para poder aproveitar mais com os meus amigos e poder organizar a minha semana; passar horas a falar com a minha família e alguns amigos que estão mais distantes; treinar mais para as coisas que realmente gosto (vou fazer a minha primeira meia maratona oficial daqui a uma semana) e sem ser sempre às 7h da manhã; dormir, no mínimo, 7h todas as noite; conseguir desligar o computador ou deixar de estudar quase sempre às 22h para que às 23h consiga estar relaxado para dormir; e ver séries e ler regularmente!
Juntando tudo, no meu subconsciente, isto continua a ser algo pouco produtivo, mas pergunto a mim mesmo se realmente o é... conscientemente consigo dizer que não e até consigo achar-me incrível por estar a fazer tudo isto (MILAGRE).
Até quando vou sentir-me assim? Não sei... mas na "procura do culpado/ Da tristeza que trago/ Disparei 'pa todo o lado/ Resta o autor dos disparos". Por isso, a resposta está em mim e em todo o processo que tenho feito.
Obrigado! Até à próxima, quiçá mais cedo do que normal e numa página de Instagram para o efeito...
Comentários
Enviar um comentário