Estou perdido?!
Sinto-me perdido! Não sei o que se passa... não sei onde estou... não sei para onde vou... por vezes, não sei quem sou!
F*****... depois de tudo o que passei custa-me dizer isto! Este sentimento de não saber quem sou em nada se compara como quando tive a miocardite enquanto estava a recuperar de um distúrbio alimentar, porque aí nem me conhecia quando me via ao espelho, era um completo estrenho para mim próprio... Apesar do que sinto hoje não ser assim tão intenso, continuo a não desejar nem ao meu maior inimigo!
A questão (que é mais uma verdade e uma afirmação) é que eu sei qual é o lugar de onde este sentimento vem... da exaustão! Têm sido meses intensos e o último foi ainda mais intenso. Tenho recebido avisos da psicóloga e de quem me rodeia, mas não só... tenho recebido avisos de mim próprio, aqueles que jurei a mim mesmo que nunca mais ia ignorar e é isso que tenho feito... e espero que isso não passe de hoje!
Em 1 ano e pouco, só sei o que são férias em 5 dias e as folgas contam-se pelos dedos. No último mês não sei o que é ter um dia calmo nem uma boa noite de sono: 2 semanas foram para o fim da campanha; outra foi para a dissertação de mestrado, onde apenas dei aos professores a primeira versão final na segunda-feira e era para entregar no domingo; terminei o meu primeiro artigo científico (enquanto terminava a tese que é outro artigo científico); uma viagem para jogo no fim de semana; uma semana e 2 dias a gerir a empresa da família (que para quem sabe está 24h/7 dependente da mesma pessoa) para que o meu pai pudesse tirar férias na primeira vez em 50 anos de vida. Isto tudo sem deixar de fazer "as minhas coisas" - sessões de fisioterapia, gerir o departamento do clube e realizar processos de reabilitação, preparar a nova versão do saudar e não sei mais o quê.
No meio disto tudo sinto que o brilho se vai perdendo... treinar é pouco ou nada, "abandonei" a página, a comunidade e os seguidores do saudar e de partilhar as minhas reflexões, a vontade de conviver e de discutir é mesmo muito pouca, a irritabilidade aumentou, a frustação aumentou ainda mais e a pressão que coloco sobre mim é ainda maior. É aqui que começo a questionar tudo o que sou e tudo o que faço... porquê que me dou tanto às coisas, às pessoas, aos projetos? Porquê que as pessoas me veem como um orgulho e um exemplo quando, neste momento, sou uma pessoa que nem tem emprego? E sim, para o meu inconsciente isso vale muito... defino o meu valor muito por isso e há muita vergonha por não estar a ser renumerado atualmente. No entanto, como não andar sempre num dilema se, conscientemente, acredito que vou conseguir ser um empreendedor social, sabendo que isso implica uma fase inicial de sacrifício? E a verdade é que o cerne desta questão não é o dinheiro, mas eu próprio não sei o que é...
A verdade é que a exaustão faz com que o meu inconsciente ganhe sempre ao consciente. Hoje, o corpo não deu só sinais, o corpo reagiu! Hoje, o inconsciente "largou uma malha" no consciente! Hoje, foram horas a chorar sem saber porquê, momentos deitado em pleno azulejo porque só cria sentir que estava vivo, largos minutos com o desejo de desaperecer (como se isso fosse resolver tudo)... hoje vivi momentos que já não vivia há algum tempo, talvez mais de um ano... enquanto, ao mesmo tempo, geria uma empresa e um departamento de saúde do clube...
Sei que preciso de abrandar, sei que até poderá ser benéfico parar e tirar férias. Contudo, o como e quando ficam sempre no ar... Como é que vou parar ou abrandar, se, quando tento afastar-me das coisas ou dar-me menos responsabilidades, mesmo preparando a transição, as coisas parecem que descambam? Ainda para mais são sempre coisas pelas quais tenho muito carinho (felizmente, já não é por rotular-me como fraco por "abandonar o barco"). Quando é que vou parar ou abrandar se a época só acaba em abril, tenho projetos a chegarem às mãos e estou a desenhar outros (algo que tenho urgência em operacionalizar porque poderão ser uma forma de acalmar o meu inconsciente e trazer a estabilidade que necessitamos para viver) e a tese de mestrado ainda está por defender e submeter a revistas científicas?
Perguntas, perguntas e mais perguntas... é assim a cabeça de um ser (demasiado) pensante e, se estivermos num estado de exaustão e pressão (externa e interna) constante, para uma resposta, surgem mais 10 perguntas.
Neste momento, não sei quando é que vou abrandar ou parar/tirar férias, nem como vou lidar com a exaustão... apenas sei que o corpo já passou a fase das ameaças e agora tenho de fazer de tudo para evitar uma paragem forçada.
Reconher é um primeiro passo. Partilhar é um segundo e, hoje, ao ver uma publicação sobre partilha, lembrei-me que já não vinha a este cantinha há bastante tempo, lembrei-me do vosso carinho, lembrei-me em como ajudei amigos a abrirem-se e procurarem ajuda e lembrei-me como este tipo de impacto ajuda-me a reencontrar-me e a dar sentido e propósito à minha vida.
Muito Obrigado!
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